10 de junho de 2009

Congresso Internacional do Medo - Dísticos 3


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não cantaremos o ódio porque esse não existe,

existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,

o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,

o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,

cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo

e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


(Carlos Drummond de Andrade)

3 comentários:

Fernanda Carvalho disse...

interessante a mistura: fotos com palavras. Sou bem viciada nos 2 (imagens e palavras) também!
www.metropolisthoughts.blogspot.com

Laura Fuentes disse...

Imagens e palavras...e, no caso de Drummond, que palavras! Flores medrosas...só ele poderia dizer isso com tanta propriedade.

A VIAGEM disse...

montamos uma peça em 2008 com mesmo nome em BH com o Grupo Espanca! grande abraço Nadja Naira (Flügel- curitibana - apaixonada pela luz como você)